Ali, aos pés
da cama ela faz massagem nos pés da filha que não os sente mais.
Em seu rosto
as marcas de expressão mostram a tristeza de uma mãe que já enterrou um filho.
Por mais que o
toque seja como faca que vai cortando a pele, a filha deixa que a mãe afague suas mãos e faça cafuné em sua cabeça, afinal mãe é mãe e seu carinho
é especial, é mão de Deus a nos tocar e
a nos acalmar como quem diz “vai ficar tudo bem, eu estou aqui”.
Ela acha que o
que fez não foi o suficiente e que parte da culpa de sua filha estar ali,
naquela situação, é sua culpa.
Que mania boba
é essa dos pais acharem que o que fazem aos filhos nunca é o suficiente?
É, talvez um
dia eu saiba que descontentamento descontente é esse, mas por ora só consigo
me deter e me desconcertar com aquele olhar e com aquelas mãos enrugadas que afagavam a filha, afagavam
o corpo de quem tanto se ama, como que em um tom
de despedida forçada, em um apertar as mãos como de quem quer trocar de lugar por achar que não aguenta mais
uma perda e prefere ser aquela a quem se perde.
Ao presenciar tal cena um só pensamento me veio : Que Deus tenha piedade daquela
mãe.
Deus sabe o que faz e não nos dá cargas maiores do que as que podemos carregar. A vida tem seu próprio ciclo e este deve-se ser respeitado e compreendido. Nossa missão nesta vida é evoluir espiritualmente e moralmente, ainda que a dor as vezes seja inevitável. Confie, meu bem. Existe uma sabedoria que está muito além do que podemos compreender.
ResponderExcluirVocê escreve muito bem, Malu. Não desista do blog. Beijinhos
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